segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Saciando a saudade



Quanto tempo tenho, afinal
Para saciar esta saudade
Um minuto, um dia,
A perpetuidade?

Flutuo no labirinto do tempo,
Não sinto a terra macia,
Mas sinto loucamente
O pulsar do coração
Incontrolado,… felino
Como se ansiasse voar
Planar a concavidade da terra
Penetrar na cratera incandescente
Do âmago magmático existencial
Em vivências temporais equidistantes
De existências predestinadas
Em junções consequenciais
De desnudos corpos ébrios

Bebendo a loucura do amor
Vivendo a liberdade do momento
Desfalecendo em pleno sacrilégio.

Sou uma ogiva nuclear


Sou uma ogiva nuclear
Plano os céus em ziguezague
Fogosidade humana
Irreflectida, selvagem
Em vagidos dissimulados
De um âmago pulsatil
No rasto da raiva incontida
No limiar da detonação
Em mil partículas veementes
Mescla de sentires em ebulição
Assombro o sol clandestino
Amedronto as nuvens pardacentas
Estremeço a lua feiticeira
Sem controlo de controlar
O que grita o coração.
Continuo altiva pelos céus
Vislumbro o impetuoso iceberg
Emergente da profundeza do ser
Fixo o alvo e mergulho
Expludo na vastidão universal
Em minúsculas partículas
Matizadas com a grandeza do amor
Envolvidas em sôfregos desejos
Enlaçadas com o perfume da liberdade

E do meu olhar marejado
As lágrimas fluirão


Nos meandros da saudade

O corpo ergue-se da penumbra de si
Imola-se nesse fogo que também é seu
Emerge nas profundezas do oceano
Por um vendaval que irrompeu
Do livro docemente oculto
Pelos meandros da saudade
Inquieta-se, silenciosamente
Por alguém que sobreviveu
Ao naufrágio constelar
De uma vida renascida
Que não sabe porque sofreu

Queda-se quieto na noite
Meigamente permanece
No reflexo do olhar
Um rosto resplandecendo
Na pulcritude do luar
Abrilhantando a noite
De um ser que chora
Em orvalhos cristalinos
Deslizando suavemente
Pelo corpo proscrito
Sequioso de carinho


Silêncio profano


Corpos que se esgueiram na noite
Na escuridão do silêncio profano
Dispersam-se na vastidão constelar
Na quentura sôfrega dos poros
Suados de desejos incontrolados
Brisas desfeitas pelo orvalho audaz
Sombras flamantes e sinuosas
Dos corpos desnudados dançantes
Docemente na frugalidade do tempo
Crentes na indulgência intemporal
Um minuto, um dia, uma eternidade
Saciando a saudade ancestral
De um ser insaciado
À deriva no tempo sem tempo
Diluídos na liberdade bidimensional
De serem tão-somente gente

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Como uma rosa Azul



Queria ser como a rosa azul
Viver meramente um dia
Ser a tua primavera, o teu Verão
O teu Outono, o teu Inverno
Sentir a fragrância da tua pele,
Tuas mãos docemente no meu rosto
Com a macieza das pétalas azuis.
Sentir o prazer de ser especial
Somente um dia, que importa
Como a rosa azul

Afogar a saudade no sabor do teu odor
Saciar o sonho perdido num olhar ardente
Mergulhar na limpidez orvalhada
Que afaga as tuas pétalas imortais
Diluir – me na imensurabilidade de ti
Um dia, uma vida, uma eternidade.
Morrer e renascer como a rosa azul

Doce sensação



Percorro os campos desabrochados
Piso a erva macia do bosque
Penetro nas águas límpidas
Da nascente da vida
Sinto o calor arrefecido pela água
Amaciando o meu corpo despido
O sol aquece a minha pele arrepiada
O corpo flutua na doçura das águas
Em movimentos suavizados pelo desejo
de quem se sente liberto para naufragar
na profundura de ti, doce sensação

Os pássaros esvoaçam na paisagem idílica
Pintada na tela do tempo existencial
De um ser presente neste poema indulgente
Sem passado, sem futuro, só presente
Na pagina deste livro folheado pelo vento
Escrito pelas mãos vibrantes
Crentes em ti…. Sempre

Quero-te renascida… flor imperial

Perco-me no labirinto
desse jardim que é só teu
toco cada flor delicada
Sinto o aroma inebriante
acariciando a minha pele
sedenta de querer sorver…
mergulho nas pétalas orvalhadas
sem medo dessa flor singular
refrescando a alma olvidada
hidratando o âmago do meu viver

Quero-te renascida… flor imperial
ao afago das minhas asas
do meu zumbido sideral
que importa
se é Outono, Primavera ou Verão
se o vento vive em tempestade
ou se adormece em exaustão
que importa os maremotos
os terramotos, a destruição
quero-te vibrante, colorida
nesse jardim universal
nesse solo arado pelo pranto

Rogo aos Deuses do além
chuva incandescente e mágica
inundando os caules arqueados
desse jardim perdido no nada

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Acordo num sonho teu


Adormeço num sonho meu
Expando as minhas asas diáfanas
Aconchego-te num sonho teu
Injecto o doce licor do prazer em ti
Prova-me na existência do que sou

Não temas a sofreguidão da minha luz

Vem….encosta-te a mim
nesta amência que transcende o irreal
liberta-te desse torpor que te sufoca
desliza comigo no cosmos da vida
neste sonho de cascatas incandescentes
de nebulosas por ti renascentes
explodindo na imensidão do universo
do que somos, simples mortais

Não vês a efemeridade da vida?

Saboreia o prazer na amizade de mim
como um afago de gozo celestial
deste anjo que se transmuta por ti
consciente da perpetuidade do nós
no mais límpido querer transcendental

Vem…. Porquê hesitas?
não vês que sou o teu anjo
de que tens medo doce mortal?

Quero-te, veneno de mim


Quero-te sol, lua, terra
quero-te a ti
veneno de mim
lágrimas pérolas dosificadas
que resvalam suavemente
pela face outonal
renascido por ti primavera
só por ti flor do meu jardim
raiva existencial racional de ti
que suaviza em mim
nestes caminhos lamacentos
de uma alma camuflada
sem sul, leste ou oeste
só norte em ti
ternura de mim
incontrolável
de ser assim por ti
sem ouro, sem prata
como um tesouro lançado
ao vento num afago persistente
liberto de mim.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Sou simplesmente vida


O mar magnetiza o meu olhar
agita as mais incontroláveis pulsões
provoca um furor impúdico de sulca-lo
sem corpo, sem barco, sem inibições
somente com a vontade do querer

Plano a plenitude desse mar dócil
vislumbro muito além,
para lá do horizonte anil
onde o tudo e o nada acontece
em paralelos existenciais

Perco-me em ti, em mim…

Já não sou quem sou
sou abelha, saboreando
o néctar desse pólen primaveril
sou águia rompendo o firmamento
mergulhando no vazio do nada
sou brisa que docemente em ti sopro
sou gente que vagueia junto a ti
na orla invisível de mim

Sou simplesmente vida
que ocorreu em ti
neste poema que permanece
somente em mim

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Na simplicidade das coisas




Assim sou eu, assim somos nós poetas….

Na simplicidade e na beleza das coisas,
devia estar a virtude….



Musica de Pedro Abrunhosa
Revisado por Pedro Ramoa

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Espero-te simplesmente


Espero–te simplesmente
No silencio da noite que me aconchega
Nas manhãs frias Outonais
que brotam do verão findo

O tempo passa sem me acolher
o nada acontece
numa monotonia gasta
num poema cinzelado
de palavras amargas de mim

Autonomamente vagueam
pelo papel indolente
sem pejo, sem inibições, atrevidas
conscientes do querer intimo
de gritar livremente
na quietude dos fonemas

Palavras e mais palavras
profetizam-se o destino
estigmatizado por temporais
destruidores de nós
por emoções castradas
por desejos acorrentados
nas profundezas do icebergue gelado
sufocando a sublimidade
do sentimento arquejado

Revolto-me, grito
libertando-me do destino
que não será meu

Elevo-me para lá de mim em ti
amaino os temporais vindouros
afago o tempo ancorado
deixo-me penetrar por ti
cegueira consciente, silenciosa
esquecida de mim

Espero-te simplesmente

domingo, 5 de outubro de 2008

Transcendência de querer


Rasgo os pedaços desse poema
Sorvo o conteúdo clandestino
Nas entrelinhas escritas
Desses versos fragmentados
Em representações doridas
Em pensamentos abstractos
De ideias pré concebidas
De um coração magoado

Voo na cegueira de mim
ao chamamento profano
do silencio da tua voz

Salto no imaginário….

Transmuto-me em partículas
de sentires devassos
em solfejos desenfreados
em melodias descompassadas
de um violino ébrio
do teu proscrito sorriso
arraigado em mim.

Perco-me nesse som que não é meu
nessa transcendência de querer
o que, no tempo se perdeu

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Desejo mórbido de matar-te


Hoje, acordei furibunda
E antes de sentir o calor do sol
Romper pela janela entreaberta
Senti um desejo mórbido de matar-te
Não com balas, nem com facas
Mas com pétalas de rosas vermelhas
Imersas em pedaços da minha alma dolente
Matar-te com águas perfumadas
Oriundas de nascentes cristalinas
Das montanhas húmidas de saudade
Matar-te raivosamente
Com o afago das minhas mãos
Trémulas de desejo
Por tanto querer acariciar-te
Matar-te com o soluço da minha voz
Sedenta da tua

Sabes… é isso o que me apetece fazer
Todos os dias quando acordo
E a tua lembrança rasga a minha mente
Como um vendaval de ar fresco
Perfumado com a fragrância do teu sorriso.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Sento-me ao lado do tempo


Sento-me ao lado do tempo
do tempo que o tempo me dá
falo-lhe sofregamente
do tempo que já não está
ouço-o sorrir
em gargalhadas de luar
estremecendo-me docemente
como se me quisesse afagar
sinto-me seduzida
pelo tempo que o tempo me dá
pergunto-lhe porquê
se o tempo passado será.

E no silêncio do tempo
vislumbro a resposta
que meigamente o tempo me dá