Ah se eu pudesse, num sono profundo
adormecer os fios azuis, que colijam a alma
albergar o livre branco no meu olhar
então as vozes erguer-se-iam do ventre
em monossílabos consonantes pintados
do silêncio emudecido da dor
Afluiriam os rebentos virgens das vinhas
desgarradas das densas ervas carcomidas
e jorraria o vinho, do cálice sagrado da cruz
Pudera eu adormecer os fios azuis
que coarctam o meu peito e as vozes
clamariam em clamores de liberdade
10/1/12
Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
Sábado, 3 de Dezembro de 2011
Louco poema
Na quietude
clandestina da noite
voarei, subirei ao cosmos
e lá na minúscula luz da estrela,
poetarei
[disse-te]
Esvaziarei as mãos de palavras
e dos dedos as rimas
onde se soltarão os suspiros
enlaçados
de amantes fonemas
nos cativos lábios do dia
adormecerei
e nos braços do sono
no raiar de algures…
se soltarão as algemas
uma a uma
nos versos da utopia
Furibundo brotará
no entreolhar das pálpebras
o sonho
emerso no fogo da vida
E no esvoaçar dos vocábulos
entoarei num suave poema
a louca fantasia.
Escrito a 25/11/11
clandestina da noite
voarei, subirei ao cosmos
e lá na minúscula luz da estrela,
poetarei
[disse-te]
Esvaziarei as mãos de palavras
e dos dedos as rimas
onde se soltarão os suspiros
enlaçados
de amantes fonemas
nos cativos lábios do dia
adormecerei
e nos braços do sono
no raiar de algures…
se soltarão as algemas
uma a uma
nos versos da utopia
Furibundo brotará
no entreolhar das pálpebras
o sonho
emerso no fogo da vida
E no esvoaçar dos vocábulos
entoarei num suave poema
a louca fantasia.
Escrito a 25/11/11
Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011
No ardor louco d`um amor nú
Na brevidade do momento
e na impaciência do peito,
parti… tão somente
Levava o anseio na leveza das mãos
e o incenso na cor dos olhos meus
Vi no meu olhar as palavras
dos segredos ímpios do olhar teu
e as mãos soltaram-se febris
na macieza cálida do teu corpo
Calou-se embriagado o ar
suspiros ciciantes afagam-se
nas brancas paredes do quarto
e ali, no leito repleto de tempo
amam-se os corpos…..
na avidez sôfrega do tudo
Em desassossego beijam as bocas
em talhes delirantes de paixão
e o tempo brinca nos cabelos feitos fogo
dos corpos sedentos, trémulos
dádiva de serem libertação
Ouve-se o silêncio do mundo
e no leito feito do nada
o tudo acontece, como rios de lava
delirando as fortes batidas do coração
Não há medos, não há sombras
não há sempre, nem nunca
nem tempo, nem outros
só corpos redescobrindo-se
no ardor louco d`um amor nú
Escrito a 10/11/11
Domingo, 30 de Outubro de 2011
Algemas persistentes
Oh mar
Amima meus pés
sussurra o soluço das ondas
diz-me porque és
Oh mar
calmo ou bravio
leito morno sem pavio
Inspira-me
perdida ando
na foz do murmurejar
que te corre de lês a lês
Oh mar
do meu olhar
de saudade marejado
na espuma que te veste
dá-me o degredo
desejado
Oh mar
que abraças
as rochas perfumadas
sois algemas persistentes
nos passos meus
atadas
Oh mar
porque insistes
invadir-me sem senão
nos dias em que te resisto
e debilmente murmuro
o tão doloroso não
Escrito a 29/10/11
Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011
A cor da terra
No abismo
onde se reflecte a cor da terra
fenecem as asas da liberdade
num prelúdio gemente
de cordas soltas e gastas
em mãos enclausuradas
no aconchego do passado
Num horizonte embuçado de nuvens
onde o mar se perfuma da própria maresia
há um declínio liberto no cerrado da noite
um vagido silencioso na voz da madrugada
um desfraldar gélido de um vento vigil
que antecede a derradeira morada
E num leito de secas pétalas
jaz moribunda a primavera
na mente perdida no ermo do nada
Escrito a 9/10/11
onde se reflecte a cor da terra
fenecem as asas da liberdade
num prelúdio gemente
de cordas soltas e gastas
em mãos enclausuradas
no aconchego do passado
Num horizonte embuçado de nuvens
onde o mar se perfuma da própria maresia
há um declínio liberto no cerrado da noite
um vagido silencioso na voz da madrugada
um desfraldar gélido de um vento vigil
que antecede a derradeira morada
E num leito de secas pétalas
jaz moribunda a primavera
na mente perdida no ermo do nada
Escrito a 9/10/11
Domingo, 2 de Outubro de 2011
Na reentrância da noite
Torno a roçar-me no reflexo vítreo do corpo
navegar num céu dourado, coberto de pólen
pendurar-me na corda que prende o rastilho
emergente da janela do meu olhar insípido
atear-me nas fagulhas púrpuras de ti, poesia
no anseio de ser simplesmente ….presença
Traço os contornos das palavras impressas
dos versos cilíndricos das silenciosas vogais
trajo de alento as vagabundas consoantes
num denso mar alvo de insónias palpebrais
A noite adormece quieta na orla do desejo
e as heras despojadas crescem enregeladas
na confluência febril das entranhas caladas
perdidamente perco-me em ti desnudada
Escrito 02/10/11
navegar num céu dourado, coberto de pólen
pendurar-me na corda que prende o rastilho
emergente da janela do meu olhar insípido
atear-me nas fagulhas púrpuras de ti, poesia
no anseio de ser simplesmente ….presença
Traço os contornos das palavras impressas
dos versos cilíndricos das silenciosas vogais
trajo de alento as vagabundas consoantes
num denso mar alvo de insónias palpebrais
A noite adormece quieta na orla do desejo
e as heras despojadas crescem enregeladas
na confluência febril das entranhas caladas
perdidamente perco-me em ti desnudada
Escrito 02/10/11
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011
Saudade

Além…onde as gaivotas grasnem
e o lusco-fusco abraça os montes
Lá…onde o silencio dos silêncios
grita silêncios confusos
Ao longe…onde o vento beija
os cumes adormecidos
O olhar geme … errante
no lapido fogo corpuscular
e liberta-se em fios de água
translúcidos de poesias ímpias,
esvoaçantes rasgando o horizonte
perdidas….nas tonalidades coloridas
de que são feitas as cores profundas
do profundo sonho
Algures no monte longínquo
onde o olhar desnuda
de que são feitas as cores profundas
do profundo sonho
Algures no monte longínquo
onde o olhar desnuda
o galope do pensamento
o céu e a vida une-se na cor do desejo
liberto das profundezas da pele
no orvalho da selvática cor.
Saudade
o céu e a vida une-se na cor do desejo
liberto das profundezas da pele
no orvalho da selvática cor.
Saudade
Escrito a 20/09/11
Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011
O sopro
Fica na reentrância do penhasco
o sopro que de mansinho afaga a dor
e nas ervas que se soltam da terra
desenha-se a luz tremula do amor
É a chama que subjuga o sopro
onde sussurram os silêncios queridos
e nas ténues acrobacias sumidas
permanece cintilante na cor da vida
Derramam-se gotas vítreas
nos reflexos iluminantes da noite
são pérolas silenciosamente coloridas
que se perdem nas mãos da própria dor
E o sopro solta-se de mansinho
galopando no agitação do amor
afaga lentamente o teu rosto ferido
numa doce carícia trajada de cor
Escrito a 1/09/11
o sopro que de mansinho afaga a dor
e nas ervas que se soltam da terra
desenha-se a luz tremula do amor
É a chama que subjuga o sopro
onde sussurram os silêncios queridos
e nas ténues acrobacias sumidas
permanece cintilante na cor da vida
Derramam-se gotas vítreas
nos reflexos iluminantes da noite
são pérolas silenciosamente coloridas
que se perdem nas mãos da própria dor
E o sopro solta-se de mansinho
galopando no agitação do amor
afaga lentamente o teu rosto ferido
numa doce carícia trajada de cor
Escrito a 1/09/11
Sábado, 27 de Agosto de 2011
Simplesmente voz
Sou voz perdida
no esvoaçar dos lábios
inquietos
sou tonalidade esguia
que te enfada as pálpebras
húmidas de dor
sou simplesmente… voz
dispersa no vento da vida
calada por um olhar
esquecido de mim
sou sopro remoto
no vendaval de um peito
….o teu
Escrito a 26/08/11
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