quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Espero-te simplesmente


Espero–te simplesmente
No silencio da noite que me aconchega
Nas manhãs frias Outonais
que brotam do verão findo

O tempo passa sem me acolher
o nada acontece
numa monotonia gasta
num poema cinzelado
de palavras amargas de mim

Autonomamente vagueam
pelo papel indolente
sem pejo, sem inibições, atrevidas
conscientes do querer intimo
de gritar livremente
na quietude dos fonemas

Palavras e mais palavras
profetizam-se o destino
estigmatizado por temporais
destruidores de nós
por emoções castradas
por desejos acorrentados
nas profundezas do icebergue gelado
sufocando a sublimidade
do sentimento arquejado

Revolto-me, grito
libertando-me do destino
que não será meu

Elevo-me para lá de mim em ti
amaino os temporais vindouros
afago o tempo ancorado
deixo-me penetrar por ti
cegueira consciente, silenciosa
esquecida de mim

Espero-te simplesmente

5 comentários:

☆Fanny☆ disse...

É no abraço da noite que a espera se torna mais leve, onde o grito da solidão escapa do nosso ser e onde as letras ganham a forma de um poema.

Adorei ler-te, Liliana!

Um beijinho
Fanny

Novo Olhar disse...

Esperamos como se a vida nos trouxesse sempre o que desejamos
Um desejar que nos alimenta a alma.

Este poema é lindo Lili

Beijos
Dolores

Carla Silva e Cunha disse...

Adorei
gostava que fosse a
arte-e-ponto.blogspot.com

@--}--- de £ótus disse...

Ainda não tinha tido o prazer, de visitar o teu cantinho!
Fi-lo hoje e fica-me a pena, de o não ter feito mais cedo, está lindo!
Tenho que recuperar o tempo perdido... amanhã. :-)

Beijinhos

Haere Mai disse...

Estou maravilhada com o teu espaço! Escolho este poema, porque também eu me senti assim...lembras-te?
Estiveste sempre comigo!
Senti o afago, senti o calor da amizade que apenas o oceano separa!

Beijo azul...Sempre!