Perco-me
nos caminhos impetuosos
do teu corpo febril
Analiso cada palpitar
desse teu louco coração
Elaboro tecnicamente
um diagnóstico concludente
Insanidade
que deprava deliberadamente
o meu corpo imprudente
(Tu doce veneno, chamado paixão)
Odores penetrantes flutuam no ar
Mãos vibrantes movem-se suavemente
Olhos ávidos penetram-se
Bocas sequiosas murmuram-se
Rostos inflamados incendeiam-se
A proximidade é embriagante
Trôpegos os corpos agregam-se
A noite delonga-se
adiando o amanhecer
Os cumes das árvores
embaladas pela brisa nocturna
Docemente entoam cânticos
E os corpos permanecem
alheados…. insanos
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Insanidade
terça-feira, 8 de julho de 2008
Sou peça de um jogo de xadrez sábado, 5 de julho de 2008
Não consigo deixar de poetar
Pelas encostas escarpadas
Nebulizando o verdejante
Do arvoredo primaveril
O azul do céu espreita timidamente
A serenidade é exímia
A plenitude invade-me
Não consigo deixar de poetar
A paz fugaz é sedutora
Meus olhos secam do mareje ocular
A brisa fresca arrepia-me a pele
As árvores agitam-se
dançando ao sabor do vento
Como se me quisessem encantar
(murmurando docemente)
visualiza a nossa beleza
Sente dentro de ti a nossa força
Liberta-te e saboreia a vida
que ainda tens para viver
transmuta para o papel sequioso
o que a alma sente
e a razão já não quer rejeitar
Um poema infantil ou de amor?
Eu não consigo lá penetrar
Bato docemente na madeira
Mas tu não me consegues visualizar
Sei que ouves, sim
O arquejar do meu coração
Por isso mesmo não a abres
Com medo da aproximação
Mas tu sabes muito bem
Que eu entendo a tua posição
Só que é doloroso demais
Não conseguir uma migalha
Da tua atenção
Por isso um dia… cansada
Numa joaninha transformar-me-ei
E sofregamente penetrarei
Na frecha da porta sombria
Percorrerei ansiosamente
Esvoaçando
A distância que separa-me de ti
Poisarei no teu cabelo
Num afago sem fim
E as tuas mãos tremulas
Por momentos, em mim pegarão
Acarinhar-me-ás sem sufocação
E eu pobre joaninha, feliz voarei
Porque consegui por fim
Um pouco da tua atenção.
Sabe bem
Sabe bem
voltar a sentir-te
Com a mente liberta de cafeína e opiáceos
Sabe bem
relembrar o tango dançado
Sem preconceitos, tentadoramente
Um minuto, transformado
Em momentos de intensa paixão.
Vividos no plano dos sentidos.
Arreigados em seres vibrantes
em alerta sentimental.
Um tango dançado no bordo linear
Do desejo incontido
Em dois corpos desconhecidos
inventando-se nesse momento único
no universo da sedução
Sabe bem voltar a senti-te
sem drogas a atrofiar a mente
Hum… sabe tão bem
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Quero olhar-te, ver-te e sentir-te
não quero ser imortal na minha intangibilidade
Quero olhar-te, ver-te e sentir-te bem fundo
Olhar os teus olhos de mel
Ver de perto as rugazinhas,
quando tu docemente sorris.
Ver o brilho de felicidade neles retidos
Ver a beleza contida nesse olhar marejado
Ver a construção de um poema teu
Ver o que vês na poesia que eu esculpo
Quero olhar-te e ver-te nem que seja numa foto,
numa aguarela imaginada por mim
(na intangibilidade não quero ficar)
Quero sim sentir, olhar e simplesmente estimar.
até ao dia que te vou abraçar
sentir o teu corpo pleno, no meu
deixar tagarelar o meu coração
acariciar os teus cabelos sedosos
murmurar-te ao ouvido
por favor, sente-me
e leva-me contigo
mesmo que não me queiras ver
Escrito a 23/06/08
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Não me peças...

quarta-feira, 18 de junho de 2008
Momento circunscrito

Deitada numa cama do hospital
Penso…nem eu sei em quê
Na minha mente,
imagens surgem do passado, do presente
como um comboio expresso, veloz
sem se deter em nenhum apeadeiro
Mescla de sentimentos emergem
de um vulcão, ainda em ebulição
Lava incandescente invade
a montanha do meu sentir
formando rios de lama
que se extinguem
ao contacto do iceberg da razão
O expresso continua a deslizar
rapidamente
A minha mente
eterizar-se do passado, do presente
O tempo pára ao tic-tac do relógio
O meu ser ausenta-se
suspenso do comboio expresso
que continua em andamento
A porta da alma escancara-se
de repente
O sonho penetra sofregamente
Na mente atordoada
O futuro… imagina-se
O comboio expresso imobiliza-se
O sol renasce brilhante
Numa primavera apetecível
Gotas de orvalho penetra
a lava vulcânica
arando o solo
a semente é lançada
flores campestres perfumam
a montanha do sentir.
O presente é passado
O amanhã é esquecido
O sonho é intensamente vivido.
Escrito a 12/07/08
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Luar sedutor
Acordada no silencio da noiteSuspensa pelos filamentos
prateados das estrelas
Amparada pela sua manta sideral
Pairo na aragem do tempo
tal fantasma à procura
da casualidade existencial
das interacções cósmicas
Os meus olhos contemplam-te
Peço-te perdão, lua cintilante
Por ter provocado
O relampejar dos Deuses
Ao enfeitiçar-me do teu luar sedutor
Que me trajou de ternura
Alumiando minha existência
Não escutei a voz da razão
Que sussurrava baixinho
Pára, amordaça o teu coração
não o deixes sentir
Pára, curariza-o, paralisa-o
não o deixes pulsar
Pára, não o deixes voar.
Vagueio pelo espaço penitenciando-me
Sentindo o espinho da saudade
As pétalas da ternura
A chama do desejo
A vontade de voltar a sentir
A quentura do teu luar
Estendo a minha mão trémula
Quero afagar-te…
Mas como? Interrogo-me
Como posso ansiar tocar-te
Eu insignificante mortal?
Gotículas orvalhadas deslizam lentamente
Molhando meu corpo volatilizado
Tu olhas-me, sorris tristemente
Permanecendo em constante rotação.
E eu continuo a pairar
Na aragem do tempo
Em absoluta meditação
sábado, 7 de junho de 2008
Sonho de maresia
Estendo - me no calhau da praiaSobre as macias algas marinhas
Envolvo-me de suave maresia
Aqueço-me com a manta solar
Meu corpo vestido de melancolia
Divaga….penetra
Na profundeza do oceano
Acaricia a estrela-do-mar
Delicia-se com as doces melopeias
Que ecoam dos acordes da harpa celestial
Tocando lúbricamente o tango
Os meus olhos fascinam-se
Com as medusas reluzindo
Das cores da paixão
Rodopiando sensualmente
Mais e mais, tornando-se unas
As conchas cantadeiras
Soltam cadenciadamente
Pérolas de amor
Inundando a vastidão marinha
De essências da vida
Eu continuo a contemplar
As medusas libertas
Entrelaçadas a dançar
O tango sedutor da vida
Permaneço imóvel, fascinada
E sinto o salgado dos meus olhos
Diluir-se nas torrentes oceânicas.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Um dia...

Um dia
O passado ficará inerte
Nas ruínas do tempo
Num ponto fantasma qualquer
Um dia
Eu serei ave, foca, leoa…
Voarei na vastidão do firmamento
Mergulharei na profundura do mar
Vaguearei pela densa floresta
Serei poeira cósmica
Diluída no universo astral
E quando eu já não existir
Tu procurar-me-ás
No recanto das tuas memórias
Recordar-me-ás, sorrindo
Sonhando com o passado
Abrigado num cantinho
Do teu fatigado coração.
Um dia
Eu serei apenas uma recordação
Suave como o vento
Leve como uma pena
Mas meigamente arreigada
No teu doce coração
Um dia
Enganarei a vida
E no livro grosso do tempo
Escreverei o meu próprio fado
Desenharei as cores do meu caminho
Pintarei o cinzento do meu destino
No verde cintilante da esperança
Serei o espelho da tua alma
Onde verás toda a pujança do meu querer.
Um dia
Eu serei aquilo que anseio ser.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Marasmo poético

Foge-me a inspiração
Atordoam-se as palavras
Emudece-me o coração
Esvazia-se a mente
As mãos… ah! As mãos
Aniquilam-se desalentadas
Mudo permanece o papel
Não consigo poetar
Escrever o que me faz desejar
Já nada me inspira
Nem esta dor que permanece
Nem as lágrimas dos meus olhos
Que não estancam
Nem o murmúrio do mar
Segredando-me baixinho
Nem a paisagem inebriante da vida
Nada, mas nada me faz inspirar…
Porque me abandonaste inspiração?
Embala-me novamente na tua poesia.
E faz falar meu coração.
domingo, 25 de maio de 2008
Eu vi essa ave
Eu vi essa aveVoando em liberdade
Planando o meu mar
Tumultuoso e orvalhado
Eu vi essa ave, sim
Faminta e exausta
No meu ombro descansou
Chilreando baixinho
Palavras doces de carinho
Trazendo novidades
Do outro lado do mar
Mitigando a saudade
Que teima em ficar
Meu coração rejubilou
Com tão linda melodia
É a melodia da ternura
Enviada com sabedoria.
O mar amainou
O meu olhar brilhou
O sol enxugou
As penas molhadas da ave
que voou em liberdade
Recuperou alento
Chilrou a mensagem
E Voltou a voar
Até perder de vista
Levando nas patas
Uma flor perfumada
Com a fragrância
Da minha terna lealdade
Sabe o que fazer dela
E concluir a missão
Entregá-la docemente
Á “musa” da minha inspiração.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Presa na calada da noite
Presa na calada da noite
Percorro a alameda da escuridão
Sinto as raízes da árvore secular
Enrodilhar-se no meu corpo desnudo
As folhas roçam-me incessantemente
Na cadencia do sopro gélido da penumbra
As gotículas orvalhadas de cinza
Penetram na minha epiderme descolorida
Não sinto o bater do coração
Gelado pelo iceberg da alma enegrecida
Meus olhos trespassam a escuridade
Tentando ouvir-te na claridade do dia
Mas impossível
A barreira da 5ª dimensão
Ergue-se sombria
Possuidora
Da linha dimensional do tempo
E tu cada vez mais distante
Continuas em outra dimensão
Minha boca quer gritar, mas…
Nenhum som torna-se audível
Eu permaneço presa na noite
Sem nada poder fazer
Deambulando na escuridão
Á espera de transpor esta dimensão.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Amiga linda
Na berma da minha vida
Segurei-te nas minhas mãos trémulas
Com delicadeza e ternura
Receosa, que pudesses definhar
Plantei-te … bem profundo
No jardim da minha existência
Onde mais pulsava a emoção
Reguei-te todos os dias
Com o néctar da minha dedicação
Não murchaste, cresceste majestosa
Enaltecendo todo o meu viver
Hoje, relembro o passado
Contemplo o meu jardim
E vejo-te viva, radiosa, jovial
Ondulando ao sabor da brisa
Que me afaga o coração
És a flor mais perfumada
Das fragrâncias do meu jardim
Não és ouro, nem prata…
És muito mais do que isso
És a flor mais rara que existe
A mais meigamente amada
Enraizada dentro de mim.
Será que consegues sentir
A quão preciosa és para mim?
