sábado, 18 de setembro de 2010

Faço de ti “poesia”



















Faço de ti “poesia”
o meu sustento
a minha crença do dia a dia
a minha arma, o meu lamento
o meu gemido, a minha fantasia

Faço de ti, o leito do meu sossego
o vento da minha tempestade
a seiva do meu carinho
no teu corpo versado

Faço de ti a taça de bom vinho
bebido no acto da embriaguez,
nas curvas do meu caminho,
no meu eterno destino

E lá, onde arde a desdita
faço de ti a minha guitarra,
a canção do meu bailado
o traje da minha memória
o meu destemido fado

Faço de ti “poesia”a minha saudade
a minha querença, a minha infinidade

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Infecunda liberdade
















A vida pariu o destino
abandonou-o meigamente
na janela aberta do SER
tatuando com lágrimas e risos
a brochura da alma
aprisionando-a
na liberdade de ser

Mas o SER
bastardo engravidou
de infecunda liberdade

A terra escureceu
E a vida tornou-se sombra

Torna-me imortal














Abraça-me assim… bem forte
faz-me sentir a minha própria pequenez
mostra-me a efemeridade de ser corpo
torna-me imortal na mortalidade dos sonhos
deixa-me provar o sabor da tua essência
fica comigo nesta amência permanente
neste tropeçar sôfrego de ser tempo
e mostra-me o casulo do alvorecer
no murmurar ínfimo dos dias

Abraça-me bem forte e no silêncio do vento,
o eco do teu olhar sussurra-me

Estou aqui, sente-me

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poeta ferida


















DEDICADO A UMA POETISA ESPECIAL

Palavras viscerais e furibundas
Lavram o papel esfaimado
Chorando de ventre desnudado
A dor esviscerada da descrença
Impiedosamente soluças
Vocábulos desmembrados acutilantes
Que rasgam a íris perplexa
No negro da noite que se advinha

Cega pelos soluços atormentados
Ceifa-se a minha alma enegrecida
E nos poemas gementes que cinzelas
A marca da dor com que desvendas
As liberdades corrompidas
Dos meandros selváticos da vida
Tatuados na tua pele de poeta ferida

15/01/10

sábado, 2 de janeiro de 2010

Vagabundo tempo





















Com a impotência algemada à alma
e as mãos calejadas de acariciar
o vazio do eco arquejante
lavro na pedra barrenta
do destino
um outro olhar,
um outro caminhar

Com a firmeza de um sem abrigo
semeio na alma as flores do desejo
desse desejo que me faz crente
e na berma da estrada
visto-me
dos minutos e das horas do tempo,
desse tempo
sem tempo p`ra mim

A impotência permanece
na ardência da alma nua
e num impulso de puro
atrevimento
exijo ao vagabundo do tempo
um milésimo de tempo
por fim

Simplesmente sonho-te


















Sonho-te neste meu corpo perdido
nas flores que florescem no eco dos ventos
nas cordas vibrantes que lentamente
fazem gemer o fado proscrito

Sonho-te no amanhecer gotejante e cinzento
que cobre a doce alvura do sol nascente
da primavera que ainda não se advinha
na distancia invernal da lua crescente

Sonho-te na inquietude da noite fria
onde os lençóis cobrem o calor agitado
da delirante fantasia do corpo adormecido
onde a plenitude do brilho do meu olhar
perde-se no infinito poderoso
de te sentir pertinho de mim
num tempo afim

Sonho-te simplesmente
na certeza de te querer sonhar

Náufrago deste (a)mar














No rio obscuro da vida
existe um barco á deriva
nas aguas paradas no tempo
deste tempo que se perde
na sombra das tuas brumas

O barco desliza inquieto, ávido
espera a luz do amanhecer,
onde o sol seque a humidade
que goteja perene de querer.

São tantas as gotas gotejadas
e tantas as fragrâncias exaladas
que em arrojado ondular desliza,
nas pacatas águas da vida
o barco náufrago, deste (a)mar

(E lá… )

Onde se funde o rio e o mar
na meiguice de um raio de luar
tu barco, deixarás de te perder,
descobrirás os teus velhos remos
e nos braços de um renovado ser
permanecerás firme, pungente,
neste rio que o destino
não quer ainda destruir

O anoitecer em nós.















O amanhecer
Um leito, um corpo
Um beijo num arroubo
Um olhar, o desejo
O labirinto do querer
Um abraço, um sussurro
Um adeus, o até logo
O dia barulhento,
A sociedade, a rotina,
Uma pausa, uma lembrança
A saudade, as horas, a certeza
De me teres em ti.
O regresso, a ternura
A ansiedade, a emoção
O louco pulsar do coração
O corpo num abraço
A alma em comunhão
O carinho, a loucura
O saciar da saudade
O navegar no teu corpo
O desenhar sinfonias
Nos teus lábios entreabertos
Um sorriso patético
Na êxtase da paixão.
Os sussurros, as palavras
As pausas silenciosas
O estonteamento do frenesim
O recomeço sedento
Do alimento em nós
Na noite que enceta
No sonho que se perfaz
A dois, na paz
No abraço voraz
Do anoitecer em nós.

sábado, 14 de novembro de 2009

Beijo-te, quero-te, amo-te

Beijo-te
na fragrância de todas as flores
das pétalas que desabrocham
nas minhas mãos sedentas

Quero-te
na macieza do entardecer
no sabor orvalhado das estrelas
lapidadas no meu céu
fecundo de prazer

Amo-te muito além do corpo
imolado de doida paixão,
acima de todas as coisas
do meu universo em
desejada transformação

Amo-te
nesta minha ânsia de querer
a fusão de todas as forças
acariciar a terra fertilizada
e simplesmente ser

Quero hibernar

Quero partir em viagem, perder-me na noite
deixar-me engolir pelas entranhas da terra,
descansar sobre o frio mármore do tempo
e hibernar nas cavernas soalheiras da vida
onde, a claridade das paredes reflecte
a chama bravia do meu desnudo olhar

Quero cobrir-me de flores selvagens
entrelaçadas no selvático buraco do tempo
e permitir que o frio gélido do ar
coagule o meu peito sangrante
neste berço agitado de perene (a)mar

Quero partir...ficar...hibernar
nos braços suculentos do efemero sonhar

Falta-me algo eu sei

Falta-me algo eu sei
nesta minha vida vivida
este algo que me inquieta
impede de me sentir preenchida

Falta-me algo eu sei
que dê gosto ao paladar
da minha boca perdida
do sabor doce e húmido
do gosto da loucura proibida

Tenho o mar, o céu, o sonho
neste lugar no horizonte perdido
mas falta-me algo… eu sei
que continua a ser preferido.

A minha reencarnação

Nas insónias frementes da alma
nas noites sombrias de luar
elevo-me das vagas mansas do mar
sento-me exausta nas estrelas,
estendo as minhas mãos trémulas
ás apalpadelas na escuridão
não consigo acariciar-te,
estremeço de frio no vazio de ti
e na mais completa solidão
choro-te…

Nas nebulosas incandescentes
abrem-se suavemente botões de rosas
que ancoram na palma da minha mão
no silêncio reinante do cosmos,
sorvem as lágrimas caídas
perfumando a minha paixão

E lá sentada nas estrelas
aguardo a minha reencarnação

Afago demoníaco






















Tento libertar-me, mas não consigo
Dessa teia que em mim teçe
Sinto a seda escorrer no meu corpo
Envenenando a minha alma
Desse amargo-doce proscrito
Tento me libertar.
Mas…..não, não quero
Quero sentir
O afago demoníaco desses fios
Enrodilhados em labirínticos
Fios de prazer,
Porque assim te sinto
Na macieza desnuda
De te querer sentir

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Visto-me de poesia


















Visto-me de poesia
Do mais belo traje que há
Caminho no jardim perfumado
Onde a vida acontece
Mesmo ali, ao meu lado

Cubro-me de lirismo
Do vermelho das rosas renascidas
Mergulho no pólen da vida
Onde brotam as palavras sentidas

Das palavras adubo a alma
No semear de versos enaltecidos
Na certeza certa de desbravar
Recantos ingloriamente escondidos

Vagueio ávida pelas palavras
Como um estranho vagabundo perdido
Bebendo em cada sílaba lavrada
O doce veneno proibido

O eterno de nós













Neste tempo, neste mundo
somos o que somos,
um pouco de nós

Na pertença do cosmos
somos o verdadeiro nós
esse que perseguimos
no eterno de nós

Neste instante, aqui…
existe um pouco de nós
na ambivalência das coisas
onde o equilíbrio
desequilibrado
equilibrante
reina, no reino da vida

Aqui…
neste preciso momento
tu és o que és
eu sou o que sou
e o nós… quase não existe

Mas lá….
o tu não existe
o eu não existe
e o nós prevalece
na união de todas as vidas