quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Torna-me imortal














Abraça-me assim… bem forte
faz-me sentir a minha própria pequenez
mostra-me a efemeridade de ser corpo
torna-me imortal na mortalidade dos sonhos
deixa-me provar o sabor da tua essência
fica comigo nesta amência permanente
neste tropeçar sôfrego de ser tempo
e mostra-me o casulo do alvorecer
no murmurar ínfimo dos dias

Abraça-me bem forte e no silêncio do vento,
o eco do teu olhar sussurra-me

Estou aqui, sente-me

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poeta ferida


















DEDICADO A UMA POETISA ESPECIAL

Palavras viscerais e furibundas
Lavram o papel esfaimado
Chorando de ventre desnudado
A dor esviscerada da descrença
Impiedosamente soluças
Vocábulos desmembrados acutilantes
Que rasgam a íris perplexa
No negro da noite que se advinha

Cega pelos soluços atormentados
Ceifa-se a minha alma enegrecida
E nos poemas gementes que cinzelas
A marca da dor com que desvendas
As liberdades corrompidas
Dos meandros selváticos da vida
Tatuados na tua pele de poeta ferida

15/01/10

sábado, 2 de janeiro de 2010

Vagabundo tempo





















Com a impotência algemada à alma
e as mãos calejadas de acariciar
o vazio do eco arquejante
lavro na pedra barrenta
do destino
um outro olhar,
um outro caminhar

Com a firmeza de um sem abrigo
semeio na alma as flores do desejo
desse desejo que me faz crente
e na berma da estrada
visto-me
dos minutos e das horas do tempo,
desse tempo
sem tempo p`ra mim

A impotência permanece
na ardência da alma nua
e num impulso de puro
atrevimento
exijo ao vagabundo do tempo
um milésimo de tempo
por fim

Simplesmente sonho-te


















Sonho-te neste meu corpo perdido
nas flores que florescem no eco dos ventos
nas cordas vibrantes que lentamente
fazem gemer o fado proscrito

Sonho-te no amanhecer gotejante e cinzento
que cobre a doce alvura do sol nascente
da primavera que ainda não se advinha
na distancia invernal da lua crescente

Sonho-te na inquietude da noite fria
onde os lençóis cobrem o calor agitado
da delirante fantasia do corpo adormecido
onde a plenitude do brilho do meu olhar
perde-se no infinito poderoso
de te sentir pertinho de mim
num tempo afim

Sonho-te simplesmente
na certeza de te querer sonhar

Náufrago deste (a)mar














No rio obscuro da vida
existe um barco á deriva
nas aguas paradas no tempo
deste tempo que se perde
na sombra das tuas brumas

O barco desliza inquieto, ávido
espera a luz do amanhecer,
onde o sol seque a humidade
que goteja perene de querer.

São tantas as gotas gotejadas
e tantas as fragrâncias exaladas
que em arrojado ondular desliza,
nas pacatas águas da vida
o barco náufrago, deste (a)mar

(E lá… )

Onde se funde o rio e o mar
na meiguice de um raio de luar
tu barco, deixarás de te perder,
descobrirás os teus velhos remos
e nos braços de um renovado ser
permanecerás firme, pungente,
neste rio que o destino
não quer ainda destruir

O anoitecer em nós.















O amanhecer
Um leito, um corpo
Um beijo num arroubo
Um olhar, o desejo
O labirinto do querer
Um abraço, um sussurro
Um adeus, o até logo
O dia barulhento,
A sociedade, a rotina,
Uma pausa, uma lembrança
A saudade, as horas, a certeza
De me teres em ti.
O regresso, a ternura
A ansiedade, a emoção
O louco pulsar do coração
O corpo num abraço
A alma em comunhão
O carinho, a loucura
O saciar da saudade
O navegar no teu corpo
O desenhar sinfonias
Nos teus lábios entreabertos
Um sorriso patético
Na êxtase da paixão.
Os sussurros, as palavras
As pausas silenciosas
O estonteamento do frenesim
O recomeço sedento
Do alimento em nós
Na noite que enceta
No sonho que se perfaz
A dois, na paz
No abraço voraz
Do anoitecer em nós.

sábado, 14 de novembro de 2009

Beijo-te, quero-te, amo-te

Beijo-te
na fragrância de todas as flores
das pétalas que desabrocham
nas minhas mãos sedentas

Quero-te
na macieza do entardecer
no sabor orvalhado das estrelas
lapidadas no meu céu
fecundo de prazer

Amo-te muito além do corpo
imolado de doida paixão,
acima de todas as coisas
do meu universo em
desejada transformação

Amo-te
nesta minha ânsia de querer
a fusão de todas as forças
acariciar a terra fertilizada
e simplesmente ser

Quero hibernar

Quero partir em viagem, perder-me na noite
deixar-me engolir pelas entranhas da terra,
descansar sobre o frio mármore do tempo
e hibernar nas cavernas soalheiras da vida
onde, a claridade das paredes reflecte
a chama bravia do meu desnudo olhar

Quero cobrir-me de flores selvagens
entrelaçadas no selvático buraco do tempo
e permitir que o frio gélido do ar
coagule o meu peito sangrante
neste berço agitado de perene (a)mar

Quero partir...ficar...hibernar
nos braços suculentos do efemero sonhar

Falta-me algo eu sei

Falta-me algo eu sei
nesta minha vida vivida
este algo que me inquieta
impede de me sentir preenchida

Falta-me algo eu sei
que dê gosto ao paladar
da minha boca perdida
do sabor doce e húmido
do gosto da loucura proibida

Tenho o mar, o céu, o sonho
neste lugar no horizonte perdido
mas falta-me algo… eu sei
que continua a ser preferido.

A minha reencarnação

Nas insónias frementes da alma
nas noites sombrias de luar
elevo-me das vagas mansas do mar
sento-me exausta nas estrelas,
estendo as minhas mãos trémulas
ás apalpadelas na escuridão
não consigo acariciar-te,
estremeço de frio no vazio de ti
e na mais completa solidão
choro-te…

Nas nebulosas incandescentes
abrem-se suavemente botões de rosas
que ancoram na palma da minha mão
no silêncio reinante do cosmos,
sorvem as lágrimas caídas
perfumando a minha paixão

E lá sentada nas estrelas
aguardo a minha reencarnação

Afago demoníaco






















Tento libertar-me, mas não consigo
Dessa teia que em mim teçe
Sinto a seda escorrer no meu corpo
Envenenando a minha alma
Desse amargo-doce proscrito
Tento me libertar.
Mas…..não, não quero
Quero sentir
O afago demoníaco desses fios
Enrodilhados em labirínticos
Fios de prazer,
Porque assim te sinto
Na macieza desnuda
De te querer sentir

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Visto-me de poesia


















Visto-me de poesia
Do mais belo traje que há
Caminho no jardim perfumado
Onde a vida acontece
Mesmo ali, ao meu lado

Cubro-me de lirismo
Do vermelho das rosas renascidas
Mergulho no pólen da vida
Onde brotam as palavras sentidas

Das palavras adubo a alma
No semear de versos enaltecidos
Na certeza certa de desbravar
Recantos ingloriamente escondidos

Vagueio ávida pelas palavras
Como um estranho vagabundo perdido
Bebendo em cada sílaba lavrada
O doce veneno proibido

O eterno de nós













Neste tempo, neste mundo
somos o que somos,
um pouco de nós

Na pertença do cosmos
somos o verdadeiro nós
esse que perseguimos
no eterno de nós

Neste instante, aqui…
existe um pouco de nós
na ambivalência das coisas
onde o equilíbrio
desequilibrado
equilibrante
reina, no reino da vida

Aqui…
neste preciso momento
tu és o que és
eu sou o que sou
e o nós… quase não existe

Mas lá….
o tu não existe
o eu não existe
e o nós prevalece
na união de todas as vidas

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ouves-me?
















Sinto-te
nesse desespero que te consome
nos trilhos das noites ensombradas
pelas memórias resguardadas
no mísero grito do tempo

Queima no meu peito
a tua impotente ânsia
de renascer nas asas do infinito
onde o horizonte acalma
o olhar que fenece
no orvalho das fontes

Rompe as algemas
que te acorrentam
aos fantasmas do passado
perdido na porta entreaberta do tempo

Solta-te dos escombros arcaicos
que asfixia a plenitude de seres
como te quero contemplar
â luz das gastas velas,
que perpetuam
nas janelas da minga alma

Penetra no íntimo inexplorado,
sente os pulsares virgens
do renascer da dor que te pariu
e que te fez ser

Agarra o tempo, que o tempo te dá
e respira a paz do meu anjo
que permanece em mim,
no etéreo de ti
num tempo sem fim

Ouves-me?…

Sou ser

















Quem sou eu?
Perguntam-me os olhares
que se fixam nos meus.

Sou aquele que permanece
impávido e perdido
na falésia dos sentires,
acreditando no voo enigmático
do sonho falecido.

Sou também, aquele
que um dia foi anjo e estrela ancorada
no porto inseguro de alguém.

Sou palavras esvoaçantes no vento,
da incoerência abstracta de ser
o esquecimento
nos tímpanos surdos de alguém

Sou perdição, pedra no sapato,
produto inacabado
das relações turbulentas
no oceano íntimo do permanecer.

Sou vida que permanece
alem de ti, de mim de nós,
transportando o teu fado
em cada amanhecer

Sou um insignificante aprendizado,
na imensidão dos ensinamentos
que os caminhos ofuscados
nos fornecem
na berma do real.

Sou vida, fado, saudade, paixão,
ave, fera, foca, sonho e coração

E tu? quem és tu? És um ser como eu….
produto inacabado….
constantemente a renascer
na ânsia de viver.