sábado, 17 de maio de 2008

Delirare

Acaricio com os meus dedos trémulos
Os contornos aprazíveis do teu rosto
Beijo docemente um a um
Os teus olhos radiantes
Reflexo do teu pulcro ser

Olho-te apaixonadamente
Delicio-me com a tua volúpia
Sinto-te estremecer

Beijo os teus lábios
Pecados da minha insânia

Mendigo ao tempo que pare

Sussurro, palavras doces de carinho
Prolongando o teu ser
No desvario do meu desatino

Deliro, não perguntes porquê
Não tenho explicação
Deliro meramente…
Sem qualquer contestação

Entregando o meu coração
No concavo da tua mão

1 comentário:

Graça Lopes disse...

pelo prazer do teu poema...uma flor para ti...

Os amantes sem dinheiro

Tinham o rosto aberto a quem passava
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
á roda dos seus passos,
mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade