sábado, 17 de maio de 2014
Num foliar de melodias
Deixa-me perder-me
no murmulhar ensurdecedor das ondas
onde se sente a macieza translucida dos sons
pernoitar a pele enclausurada de silabas
Deixa-me visitar-te
antes que as heras cubram o meu corpo
e a palidez das horas escorram por entre as mãos
num foliar de melodias transversas á pele, quente
Deixa-me abraçar-te
em gemidos transeuntes de sol
num tiritar de pássaros que habitam em mim
debicando inquietos, os sonhos cilíndricos
que devoram o meu corpo, num antro de loucura
E dá-me a leveza das palavras com que arquitetas
os versos que pincela o teu peito robusto de tons
Calo-me… e abandono-me á fúria dos ventos
que me arranca de ti
Escrito a 14/05/14
segunda-feira, 3 de março de 2014
São dos meus passos a marca da vida
para alem da
noite,
na insipidez da
brisa que beija o silencio
em que se embebeda
o corpo,
num destilar de
paixão, no areal das horas frias
Já não possuo a
limpidez dos versos
nem me visto de
calidez primaveril
sou somente o
cogitar de quimeras
na longura alva do
tempo em que me sinto tua
São dos meus
passos a marca da vida
dos prados verdes
em que me percorro, lassa
num encaminhar de
palavras,
de imensas filas
de folhas vazias, perdidas
na brandura rubra
dos meus dedos famintos
São dos meus
passos a marca da vida
com que olho o
interior do tempo que me aprisiona
e faz-me sentir tão tua
Escrito a 22/02/14
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Paginas emprenhadas
Crivo-me
de ansias, no limiar do desejo
sinto-te
raiz enroscada no meu corpo
em
seiva bruta despetalo-me febril
num abraço profundo em teu dorso
esvoaça-me
asas de beija-flor, tremulas
no
enroscar da face um beijo suave
e
estremeço qual flor lançada ao vento
no
estio rubro de madrugadas quentes
ato
gemidos num mapear de caricias
no entrelaçado húmido dos poros
da
pele una dos corpos distantes
e
num rodopiar de versos alados
reescrevo
em paginas emprenhadas
a
melodia deste meu triste fado
Escrito
a 28/01/14
domingo, 19 de janeiro de 2014
É o fonema da alma do corpo sagrado
Voo até que as asas se
quebrem
até que não haja mais dia, nem
noite,
até que o vento esvoace o pó rubro do corpo
levitando na agrura dum sono meu
é o fonema da alma do corpo
sagrado
dos angélicos sonhadores, despidos de pele
num ancorado rebordo da mente lívida
Será a poesia petrificada dum
ensejo nominal
vigoroso voo,
na ultima caminhada perto do céu
rascunho de azul,
perdido no eco purpura do som
melodia de pássaros enfaixados
nas nuvens escorreitas
à luz da matina, lusco-fusco,
dum horizonte longínquo
num eco sonoro de bramidos tons,
debaixo das cores que cobrem
o meu corpo,
num reflexo tardio que se perdeu
Escrito a 19/01/14
sábado, 11 de janeiro de 2014
Dorme no meu peito as asas do tempo
Dorme no peito as asas do tempo
em gestos suspensos à porta do silencio
a boca calada de beijos, pendurados
nas vagas agitadas dos olhos famintos
Dorme no peito o dorso do sonho
cansado e sovado pela renúncia do som
cai nas mãos delineando-se em grito
nas rasuras infindas da mente proscrita
Dorme no peito a cor do poema
palavras sepultadas nos lábios rubros
frases arqueadas pelo sabor do gosto
degustado na pele seca de fonemas
E dorme no meu peito as asas do tempo,
feito folhas brancas soltas no vento, nuas
Escrito a 08/01/14
domingo, 8 de dezembro de 2013
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Adormeço nas folhas caidas
Adormeço
nas folhas caídas
no
embernar fluido dos dias
leve
é o vento que geme
na
alma de mim, esquecida
Teço
asas coloridas
na
cor cinzenta da noite
voo
em arrojos perdidos
no
dorso duro da vida
Flutuo
nas encostas orvalhadas
dos
vales cavados do fado
aspiro
de uma só assentada
a
história d`um amor roubado
Na
tez navega o gozo
dum
beijo dado pelo vento
molhados
são os lábios que chama
o
nome do seu doce lamento
e
adormeço nas folhas caídas
arrancadas
pelo próprio tempo
Escrito
a 24/11/13
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
E as estampas gravitam numa tela a preto e branco
|
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Adormeço lagrima esguia
| Adormeço lagrima esguia gota ansiada na boca seca blasfemos sentires desgarrados devorando o sonho agonizante no hiato do medo transforma-se em marasmos incorporados nas aselhas profundas da iris em confluências de desacatos neurais quimeras oxigenadas de bolores libertas na ferrugem das ondas nuances de cores, rascunhando o corpo albergue d`amor. Escrito a 12/06/13 | |||||
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
...nas mãos esbeltas d`um louco amor errante
A manha enlouquece nas mãos esbeltas
d`um louco amor errante cativo do tempo
e as pétalas nos corpos brancos resvalam-se
despindo-os sôfregas numa volúpia quente
São horas de despudorados aconchegos mil
nas bocas salivantes gemendo momentos,
e os asteriscos saltitantes, perdem-se nús
nos olhos chamejantes de aromas, do rosto teu
A voz embarga-se num rouco vagir, ciciado
nos lençóis cobertos dum querer escarlate
e as horas inundam pueris os corpos desnudos
num precipício alucinante da doce palavra “céu”
Escrito 12/12/12
d`um louco amor errante cativo do tempo
e as pétalas nos corpos brancos resvalam-se
despindo-os sôfregas numa volúpia quente
São horas de despudorados aconchegos mil
nas bocas salivantes gemendo momentos,
e os asteriscos saltitantes, perdem-se nús
nos olhos chamejantes de aromas, do rosto teu
A voz embarga-se num rouco vagir, ciciado
nos lençóis cobertos dum querer escarlate
e as horas inundam pueris os corpos desnudos
num precipício alucinante da doce palavra “céu”
Escrito 12/12/12
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
A tez branca da nudez
Contorce-se -nos os corpos em vultos vivos
na manhã que nos espia arregalada de espanto
na manhã que nos espia arregalada de espanto
e em lençóis vadios, acaricia-mo-nos delirantes
no vaivém sedento dos corpos, blasfémicos
As mãos percorrem a tez branca da nudez
em soluços trémulos, deliram insaciáveis
nos corpos orvalhados de rubra avidez
As bocas devoram-se em saborosas iguarias
desejos acre-doces de exímias poesias
em desnudas bússolas de mapas corporais
desbravam livres tesouros ancestrais.
E o tempo dá-nos o tempo de ser tempo
num momento do tempo sem nada mais
os corpos saboreiam o bónus do destino
num caminhar fugaz de simples peregrino
Escrito a 04/11/12
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
trajei-me de luar, apaguei as estrelas
deliciei-me no teu corpo…sôfrega
provando o desejo, descaradamente nua
e em orgasmos vítreos, fiz-me tua
Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
estremeci no areal em seiva pura
e aspergi a noite de sublime loucura
Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
o desejo morreu asfixiado de beijos
e em delírios palatais gemi solfejos
Ah! Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
e o meu olhar projectou a cor tingida da lua
Escrito a 20/10/12
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Ah se eu pudesse
Ah se eu pudesse, num sono profundo
adormecer os fios azuis, que colijam a alma
albergar o livre branco no meu olhar
então as vozes erguer-se-iam do ventre
em monossílabos consonantes pintados
do silêncio emudecido da dor
Afluiriam os rebentos virgens das vinhas
desgarradas das densas ervas carcomidas
e jorraria o vinho, do cálice sagrado da cruz
Pudera eu adormecer os fios azuis
que coarctam o meu peito e as vozes
clamariam em clamores de liberdade
10/1/12
adormecer os fios azuis, que colijam a alma
albergar o livre branco no meu olhar
então as vozes erguer-se-iam do ventre
em monossílabos consonantes pintados
do silêncio emudecido da dor
Afluiriam os rebentos virgens das vinhas
desgarradas das densas ervas carcomidas
e jorraria o vinho, do cálice sagrado da cruz
Pudera eu adormecer os fios azuis
que coarctam o meu peito e as vozes
clamariam em clamores de liberdade
10/1/12
sábado, 3 de dezembro de 2011
Louco poema
Na quietude
clandestina da noite
voarei, subirei ao cosmos
e lá na minúscula luz da estrela,
poetarei
[disse-te]
Esvaziarei as mãos de palavras
e dos dedos as rimas
onde se soltarão os suspiros
enlaçados
de amantes fonemas
nos cativos lábios do dia
adormecerei
e nos braços do sono
no raiar de algures…
se soltarão as algemas
uma a uma
nos versos da utopia
Furibundo brotará
no entreolhar das pálpebras
o sonho
emerso no fogo da vida
E no esvoaçar dos vocábulos
entoarei num suave poema
a louca fantasia.
Escrito a 25/11/11
clandestina da noite
voarei, subirei ao cosmos
e lá na minúscula luz da estrela,
poetarei
[disse-te]
Esvaziarei as mãos de palavras
e dos dedos as rimas
onde se soltarão os suspiros
enlaçados
de amantes fonemas
nos cativos lábios do dia
adormecerei
e nos braços do sono
no raiar de algures…
se soltarão as algemas
uma a uma
nos versos da utopia
Furibundo brotará
no entreolhar das pálpebras
o sonho
emerso no fogo da vida
E no esvoaçar dos vocábulos
entoarei num suave poema
a louca fantasia.
Escrito a 25/11/11
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
No ardor louco d`um amor nú
Na brevidade do momento
e na impaciência do peito,
parti… tão somente
Levava o anseio na leveza das mãos
e o incenso na cor dos olhos meus
Vi no meu olhar as palavras
dos segredos ímpios do olhar teu
e as mãos soltaram-se febris
na macieza cálida do teu corpo
Calou-se embriagado o ar
suspiros ciciantes afagam-se
nas brancas paredes do quarto
e ali, no leito repleto de tempo
amam-se os corpos…..
na avidez sôfrega do tudo
Em desassossego beijam as bocas
em talhes delirantes de paixão
e o tempo brinca nos cabelos feitos fogo
dos corpos sedentos, trémulos
dádiva de serem libertação
Ouve-se o silêncio do mundo
e no leito feito do nada
o tudo acontece, como rios de lava
delirando as fortes batidas do coração
Não há medos, não há sombras
não há sempre, nem nunca
nem tempo, nem outros
só corpos redescobrindo-se
no ardor louco d`um amor nú
Escrito a 10/11/11
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