Na cama feita do presente
em lençóis imprudentes
ondeiam-se os corpos
olvidados de tudo
e no tudo que nos cerca
metamorfoseamo-nos
em sinfonias de amor na
liberdade de existirmos
em dádivas …..frementes
Nos olhares semi-serrados
de delicados solfejos
a minha boca sôfrega
….. selvática,
anseia teus lábios gulosos
….de querer
Os rostos aprisionados
no silêncio das bocas
lêem-se carentes…. desnudos
num espaço sem tempo de ser
Sentem-se os corpos em voos alados
cobertos pelo entardecer
E a tarde cai fria nos lençóis ….vazios
mas o aroma do prazer permanece bravio
na alvorada do nosso próprio viver
segunda-feira, 4 de abril de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
O tempo morre
No céu mesclo de azul
toca o eu perdido nas gotículas
nostálgicas das nuvens
e no brilho celeste do meu olhar
penso-te….
Os mares ausentam-se
nas cavernas terrenas
sou rio correndo agarrado
à noite lunar…
despido
Trago nas águas malhadas
o meu outro eu
aquele que cega e paralisa
no vácuo doloroso do tempo
E as mares voltam a encher
embebendo-me as veias
dilatadas de ti
Deixo pegadas de pés
na terra ausente
e no ar os aromas de todas as coisas
que me faz gente
Com rasgos de ternura
adormeço-me nos braços da vida
E o tempo morre nas minhas mãos entrelaçadas
terça-feira, 15 de março de 2011
Dispo o fogo escondido
sábado, 12 de março de 2011
Desejo
Neste rio ameno em que me desvio
na cascata rubra em que mergulho
sinto as algas, tuas mãos
roçando….
perde-se o meu corpo em desvario,
na profunda louquice de ser
….. desejo
na cascata rubra em que mergulho
sinto as algas, tuas mãos
roçando….
perde-se o meu corpo em desvario,
na profunda louquice de ser
….. desejo
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Assim...pessoa

Sou nada no vazio que me consome
nesta inquietação letal,
laje que agasalha o ardor do meu sangue,
já não canto a primavera
nem danço nas falésias do teu corpo
Sou musgo amarelecido,
palanque de fogachos demoníacos
afogueando os contornos do teu rosto,
íris cega da própria cegueira,
carvão desactivado nas brumas do olhar,
vida que se esvai, no longínquo de mim…
um tudo e um nada nesse mar enchente
Sou… o que sou, modelação viva de ti
na impecabilidade do teu próprio existir
Sou eu e tu irrompendo em mim
assim… pessoa
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Solto a alma

Solto a alma nas folhas tingidas
de aromas rubros do pretérito
e nas margens desmerecidas,
prensados fragmentos de mim
São colagens de ternuras
que me sussurram de ti,
são arremessos de palavras
que o silêncio caligrafou
e outros artefactos
que a aragem bravia
me trouxe e me doou
São imagens furtadas
ao livro que me escreveu,
rascunhos impúdicos, lapidados
pela tinta de Morfeu
são testemunhos docemente cativos
nas paginas que não se perdeu
Sou eu, és tu, é…
a vida que nunca se esqueceu
dos rascunhos que o tempo estagnou.
(Solto a alma nas folhas tingidas do pretérito)
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
A vida torna-se grito
Da roseira brava sem rosas
d`um jardim sepulcral
espreita os espinhos com dor
e nos caules amarelecidos
perde-se a clorofila sem cor
Cantam os pássaros sem asas
nas arvores desnudas de flor
uiva o vento em temporal
e as chuvas gotejam,
entristecidas
a fugidia luz color
No dia perfaz-se a noite
e a noite sepulcro d´ amor
na sombra escura do penhasco
o bramido mudo do Adamastor
E eis que….
Nas folhas desenha-se a gota
do espesso orvalho matinal
e na terra por arar, brota
a semente de todo esse areal
Das rosas vivas flúi o pólen
deste jardim intemporal
e na doce brisa outonal
sopra o aroma dourado
do vasto milheiral
E a vida torna-se grito
no silencio por falar
d`um jardim sepulcral
espreita os espinhos com dor
e nos caules amarelecidos
perde-se a clorofila sem cor
Cantam os pássaros sem asas
nas arvores desnudas de flor
uiva o vento em temporal
e as chuvas gotejam,
entristecidas
a fugidia luz color
No dia perfaz-se a noite
e a noite sepulcro d´ amor
na sombra escura do penhasco
o bramido mudo do Adamastor
E eis que….
Nas folhas desenha-se a gota
do espesso orvalho matinal
e na terra por arar, brota
a semente de todo esse areal
Das rosas vivas flúi o pólen
deste jardim intemporal
e na doce brisa outonal
sopra o aroma dourado
do vasto milheiral
E a vida torna-se grito
no silencio por falar
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Esboço

São as telas desmerecidas
que amparam o meu cansaço
é o prelúdio entardecido
de mais um…
pequeníssimo traço
São as glândulas degustadas
que saboreio
entre os dissabores dúbios
pincelados
nas cores com que te pinto
São as gotículas molhadas
de uns lábios feridos
numas mãos que esculpem
o invisível sentido
e os pés que deslizam
no soalho contorcido
È o olhar que cega
à luz do próprio dia
é o pincel repousando
nos braços das madrugadas
Sou eu... esborratada
pelo quadro que não pinto
e nos traços escuros da noite
traço-me de insana mudez
no algor do que sinto
domingo, 19 de dezembro de 2010
Na geometria da vida
Na baia do teu peito
há um refúgio
uma vaga que embala
as insónias cativas de ti,
uma luz que cinzela
o fulgor do teu olhar,
um ponto que me atrai
uma recta que acelera
o fim do meu cansar
Na geometria da vida
uma esfera perdida
num eixo desviado
d`uma terra carecida
um sepulto florido
d`um jardim escondido
num tempo invertido
um quadrado alongado
d`uma estrada pedregosa
em bermas amortalhadas
E uma meta desconhecida
sinuosa… sob o brilho constelar
há um refúgio
uma vaga que embala
as insónias cativas de ti,
uma luz que cinzela
o fulgor do teu olhar,
um ponto que me atrai
uma recta que acelera
o fim do meu cansar
Na geometria da vida
uma esfera perdida
num eixo desviado
d`uma terra carecida
um sepulto florido
d`um jardim escondido
num tempo invertido
um quadrado alongado
d`uma estrada pedregosa
em bermas amortalhadas
E uma meta desconhecida
sinuosa… sob o brilho constelar
sábado, 20 de novembro de 2010
Geme a saudade
Geme a saudade
nas cordas de uma guitarra
Que dizer se a garganta sufoca?
que fazer se o corpo paralisa
na ternura de ser vida…
só fica o ouvido,
a repetição do gemido
que arranca o coração,
matéria incandescente
acariciando-o com sons
selvagens, pulsantes
delirantes, carentes
Que fazer, que dizer
quando a guitarra geme
no meu peito gaivota,
mar em evasão…
desenfreado, manso
inundando o olhar que te sente
num momento, numa vida
no tempo sem tempo de ser tempo
Toca guitarra toca,
inventa o meu fado
no crepúsculo do amanhecer,
na tarde que quer partir
sem mim
Toca guitarra não pares, fica..
desliza no meu peito… prenhe
deixa-me ficar aqui
no silêncio da tua voz
falando-me baixinho,
gemendo em mim
o meu próprio destino
Toca guitarra toca
a saudade de alguém
nas cordas de uma guitarra
Que dizer se a garganta sufoca?
que fazer se o corpo paralisa
na ternura de ser vida…
só fica o ouvido,
a repetição do gemido
que arranca o coração,
matéria incandescente
acariciando-o com sons
selvagens, pulsantes
delirantes, carentes
Que fazer, que dizer
quando a guitarra geme
no meu peito gaivota,
mar em evasão…
desenfreado, manso
inundando o olhar que te sente
num momento, numa vida
no tempo sem tempo de ser tempo
Toca guitarra toca,
inventa o meu fado
no crepúsculo do amanhecer,
na tarde que quer partir
sem mim
Toca guitarra não pares, fica..
desliza no meu peito… prenhe
deixa-me ficar aqui
no silêncio da tua voz
falando-me baixinho,
gemendo em mim
o meu próprio destino
Toca guitarra toca
a saudade de alguém
domingo, 7 de novembro de 2010
Perdido o meu corpo

Perdido no perfume estonteante,
meu corpo flutua no lúbrico verbo,
do irracional desejo em fulgor
diluem-se os sentires extrínsecos
nos intrínsecos vertiginosos do amor
O gemido silencioso torna-se diamante
no prazer suspirante da doida luxúria
danças exóticas sucedem-se em vértice
no crepúsculo espasmódico da incúria
O olhar perde-se na brandura longínqua
goteja os meus olhos de prazer roubado
torna-se premente a sublime presença
do corpo distante num tempo parado
Meu corpo relaxa trajado de doce paz
no murmúrio sussurrante do ser amado
adormeço nos braços cálidos da quimera
tal pássaro deslizando num sonho alado
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Destino escondido
No lago ondulante do pensamento
há uma cascata turbulenta
tombando
um pássaro hibernando na raiz
da liberdade
um vento timbrado, que sopra
gemendo
um céu transvertido
lágrima
paisagem rascunhada…. cinzenta
mas no rabisco vermelho patente
há uma flor que cresce no abismo,
esquecida
pétalas e espinhos perfazem-se
rosa imergida
no licor quente da própria
vida
há um consolo que penetra
o olhar perdido….
um papel escrito
de um livro ainda não lido
um destino escondido
d`uma vida sentida
a minha
há uma cascata turbulenta
tombando
um pássaro hibernando na raiz
da liberdade
um vento timbrado, que sopra
gemendo
um céu transvertido
lágrima
paisagem rascunhada…. cinzenta
mas no rabisco vermelho patente
há uma flor que cresce no abismo,
esquecida
pétalas e espinhos perfazem-se
rosa imergida
no licor quente da própria
vida
há um consolo que penetra
o olhar perdido….
um papel escrito
de um livro ainda não lido
um destino escondido
d`uma vida sentida
a minha
domingo, 10 de outubro de 2010
Na palma da minha mão

Na palma da minha mão
há o reflexo lapidado de um olhar,
desse olhar que se perde
no interstício da alma minha,
há um tudo e um nada,
como a vida que desliza
na ponta da asa de uma gaivota cega
Na palma da minha mão
há um sonho, uma estrela dançante
num olhar gotejante
de corpúsculos cristalinos de sal,
torrente fluindo num pedaço de mar
do teu mar, pertinho de ti
Na palma da minha mão
tatuado a lume e lágrimas,
há um diamante, enobrecido pelo tempo
um tempo vão… forçado… o teu
Na palma de uma mão
na lonjura das vagas marinhas, sem nexo…
há um olhar vazio….. falho de algo...
de mim
sábado, 2 de outubro de 2010
As pétalas do teu corpo

Desnudo as pétalas do teu corpo
em dedos febris me consumo
do teu olhar teço pássaros de fogo
do teu cabelo bordo cascatas fome
No meu rosto cintila Andrômeda
no meu peito latejos de mariposa
na minha boca a suculenta romã
nas minhas mãos o fulgor da manhã
No torvelinho da tua alma me perco
nas vítreas gotas dos teus poros, gotejo
na aura do meu estonteamento, levito
no insano momento de languidez, feneço
E no silêncio das minhas mãos febris
poeto versos no teu corpo consoante
na embriaguês das eternas vogais,
sussurro o sibilado vocábulo, amo-te
A manhã beijou-me… hoje

A manhã entrou-me pela janela adentro
na frescura do dia beijou-me
deliberadamente
acariciou-me com os seus raios distantes
ao de leve, timidamente
querendo ser vento que passa no momento
A manhã beijou-me…. calidamente
perdendo-se novamente no dia
como a areia escorrendo
na minha mão vibrante… vazia
A manhã partiu incerta
no meu rosto, um sorriso quente
no meu olhar uma lágrima fluindo
perdida …
A manhã beijou-me...hoje
Adormecendo-me nos braços do tempo
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