quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Esboço
















São as telas desmerecidas
que amparam o meu cansaço
é o prelúdio entardecido
de mais um…
pequeníssimo traço

São as glândulas degustadas
que saboreio
entre os dissabores dúbios
pincelados
nas cores com que te pinto

São as gotículas molhadas
de uns lábios feridos
numas mãos que esculpem
o invisível sentido
e os pés que deslizam
no soalho contorcido

È o olhar que cega
à luz do próprio dia
é o pincel repousando
nos braços das madrugadas

Sou eu... esborratada
pelo quadro que não pinto
e nos traços escuros da noite
traço-me de insana mudez
no algor do que sinto

2 comentários:

Fê-blue bird disse...

Um poema que tem tanto de belo como de triste.
Fiquei melancólica.

Beijinhos

Luísa disse...

Gosto... mas arrisco dizer que ficaria melhor se nada rimasse! Gosto desta rima subtil:

"É o olhar que cega
à luz do próprio dia
é o pincel repousando
nos braços das madrugadas

Sou eu... esborratada
(...)"

... mas não tanto do "invisível sentido" que rima com "soalho contorcido".

Bom ano!:)